Samurai das Sombras da Literatura Brasileira ganha homenagem no CCSP

Evento no Centro Cultural São Paulo (CCSP) homenageia Massao Ohno, editor responsável por revelar uma geração inteira da poesia nacional.

O Centro Cultural São Paulo celebra Um tributo a Massao Ohno na próxima quarta-feira, 30/6, às 20 horas na Sala Adoniran Barbosa. Um dos mais importantes editores independentes do país, Massao Ohno, recém falecido, dedicou meio século a criar livros que primaram pela inovação gráfica e pela descoberta de novos talentos literários. O CCSP fica na Rua Vergueiro, 1000, próximo à estação de metrô.

O evento é um sarau-homenagem que reúne vários amigos do editor. Toshi Tanaka leva o butô ao palco do CCSP, evocando as raízes nipônicas de Massao Ohno. Claudio Willer traça um panorama crítico da sua trajetória. Os poetas Eunice Arruda, Renata Pallottini, Leila Echaime, Celso de Alencar, Antonio Fernando de Franceschi e Miguel de Almeida dirão poemas editados por Massao ou compostos para o evento e falarão brevemente sobre sua importância. O editor Jiro Takahashi fala da formação de novos editores pelas mãos do guru zen. Gutemberg Medeiros relembra a convivência com Hilda Hilst. Paola Prestes exibirá um trecho do documentário que está finalizando sobre o homenageado. Tito Martino e alguns jazzistas entoarão um spiritual. Marjorie Sonnenchein exibe ensaio fotográfico. Com previsão de duas horas de duração, o evento é gratuito e aberto ao público.

Sobre Massao Ohno

Massao Ohno (1936-2010) foi o principal editor de gigantes da poesia brasileira, como Hilda Hilst e Roberto Piva. Lançou uma geração inteira de poetas com a Coleção Novíssimos no início da década de 60, incluindo Claudio Willer, Álvaro Alves de Faria, Carlos Felipe Moisés, Eduardo Alves da Costa e Eunice Arruda.

Ohno atuou quase sempre como uma pequena editora independente, muito mais como um artista do livro do que como empresário. Foi considerado por especialistas, como o bibliófilo José Mindlin, como um dos principais artistas gráficos do livro no Brasil, tendo inovado em formatos, uso de papéis e cortes especiais, em trabalho meticuloso e artesanal. Ajudou a formar também vários editores, hoje profissionais de destaque no mercado.

Começou a Editora Massao Ohno em meados da década de 50, dando forma inicialmente a apostilas e títulos didáticos destinados a estudantes de cursinhos pré-vestibulares, especialmente o Anglo. Trabalhava para quem podia pagar e financiava os jovens talentos do próprio bolso a fundo perdido. Lançou em 1961 a “Antologia dos Novíssimos”, uma das mais importantes coletâneas de novos poetas da História da Literatura Brasileira.

Publicou ainda Renata Pallottini, Elisa Lucinda, Jorge Mautner, Carlos Vogt, Jorge da Cunha Lima, Celso Luís Paulini, Paulo Del Greco, dentre muitos outros. Quando todos os grandes editores se recusaram a lançar Hilda Hilst em sua dita “fase erótica” – ou “pornográfica”, para alguns – temerosos da polêmica, novamente foi Massao quem mandou imprimir sob seu selo “O Caderno Rosa de Lory Lambi”, que deu novo fôlego à trajetória da autora. Calcula-se que tenha editado cerca de mil livros ao todo, na maioria esgotados e hoje itens de colecionador.

Incorporou trabalhos de Manabu Mabe, Ciro Del Nero, Tide Hellmeister, Arcângelo Ianelli, Aldemir Martins, João Suzuki, Jaguar e Millôr, dentre outros artistas, a seus livros, em capas ou ilustrações, promovendo intenso diálogo entre a literatura e as artes visuais.

Filho de japoneses, formado em odontologia, dedicou toda sua carreira às letras, mas militou também no cinema, tendo co-produzido filmes como “Viagem ao fim do mundo” (1967), de Fernando Coni Campos, e “O bandido da luz vermelha” (1968), de Rogério Sganzerla.

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Um tributo a Massao Ohno
Data: 30/06/2010 – Quarta-feira
Horário: 20:00
Local:
Sala Adoniran Barbosa - CCSP :  Rua Vergueiro, 1000, próximo à estação de metrô



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