<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Revista OffLine</title>
	<atom:link href="http://www.offline.com.br/blog/?feed=rss2" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.offline.com.br/blog</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Mon, 06 Sep 2010 16:28:17 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.9.2</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>Saem indicados ao Prêmio Jabuti</title>
		<link>http://www.offline.com.br/blog/?p=892</link>
		<comments>http://www.offline.com.br/blog/?p=892#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 06 Sep 2010 16:28:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Evento]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.offline.com.br/blog/?p=892</guid>
		<description><![CDATA[Foram divulgados nesta quarta-feira (1) os indicados para as 21 categorias do prêmio Jabuti. Os escritores Carol Bensimon e Fabrício Corsaletti, que estiveram na edição especial da Bienal do Livro de São Paulo estão concorrendo na categoria Romance, ao lado de nomes como Chico Buarque, João Ubaldo Ribeiro e Luiz Fernando Veríssimo.
Na reportagem que discutiu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foram divulgados nesta quarta-feira (1) os indicados para as 21 categorias do prêmio Jabuti. Os escritores Carol Bensimon e Fabrício Corsaletti, que estiveram na edição especial da Bienal do Livro de São Paulo estão concorrendo na categoria Romance, ao lado de nomes como Chico Buarque, João Ubaldo Ribeiro e Luiz Fernando Veríssimo.</p>
<p>Na reportagem que discutiu as gerações literárias, o escritor Joca Reiners Terron apostou em Fabrício Corsaletti e Carol Bensimon como ícones da nova geração literária. Carol também foi indicada por Michel Laub.</p>
<p>Com estas indicações ao prêmio literário mais importante do país, ambos os escritores dão o primeiro passa para o time da Geração Zero Dez.</p>
<p>Nossos parabéns a eles!</p>
<p><img class="alignnone" title="Jabuti" src="http://blog.opovo.com.br/educacao/files/2010/04/TrofeuJabuti.png" alt="" width="300" height="300" /></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.offline.com.br/blog/?feed=rss2&amp;p=892</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>ERRATA</title>
		<link>http://www.offline.com.br/blog/?p=885</link>
		<comments>http://www.offline.com.br/blog/?p=885#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 15 Aug 2010 16:46:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[OffLine]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.offline.com.br/blog/?p=885</guid>
		<description><![CDATA[Na matéria &#8220;2010 chegou e a nova geração, cadê?&#8221; (pag 29) da edição 18,  a resposta correta para a pergunta feita a Joca Reiners Terron segue abaixo.
Em suas descobertas como leitor e autor, quem são os autores estreantes que mais vem lhe chamaram a atenção recentemente, mesmo que sejam promessas? Você poderia nos indicar alguns [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na matéria &#8220;2010 chegou e a nova geração, cadê?&#8221; (pag 29) da edição 18,  a resposta correta para a pergunta feita a Joca Reiners Terron segue abaixo.</p>
<p><strong>Em suas descobertas como leitor e autor, quem são os autores estreantes que mais vem lhe chamaram a atenção recentemente, mesmo que sejam promessas? Você poderia nos indicar alguns nomes entre primeiros livros, blogueiros ou contatos diretos com jovens talentos? Há algo vindo das universidades?</strong></p>
<p>Aposto em Daniel Galera e Fabrício Corsaletti, que são autores na faixa dos 30 anos e muito bem estabelecidos. Ainda com vinte e poucos, creio que Emilio Fraia e Leandro Sarmatz ainda realizarão coisas geniais. Não conheço bem o que acontece nas universidades, pois não tenho nenhum vínculo com elas. Espero, entretanto, que de lá surjam críticos que se interessem pelo que vem sendo produzido recentemente.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.offline.com.br/blog/?feed=rss2&amp;p=885</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Entrevista com Santiago Nazarian</title>
		<link>http://www.offline.com.br/blog/?p=882</link>
		<comments>http://www.offline.com.br/blog/?p=882#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 13 Aug 2010 19:59:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.offline.com.br/blog/?p=882</guid>
		<description><![CDATA[Entrevista com Santiago Nazarian por Denise Godinho

Que aspectos de sua literatura você considera que o inscrevem em nosso tempo? Há similitudes entre sua literatura e a produção de outros autores da mesma geração que a sua capazes de configurar alguma proximidade ou diálogo?
Isso é impossível de eu identificar. Vivo em nosso tempo, escrevo em nosso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entrevista com Santiago Nazarian por Denise Godinho</p>
<p><img class="alignnone" title="Santiago" src="http://img.estadao.com.br/fotos/34/62/7B/34627BAB96194B839923F72E2DDD5069.jpg" alt="" width="420" height="280" /></p>
<p><strong>Que aspectos de sua literatura você considera que o inscrevem em nosso tempo? Há similitudes entre sua literatura e a produção de outros autores da mesma geração que a sua capazes de configurar alguma proximidade ou diálogo?</strong></p>
<p>Isso é impossível de eu identificar. Vivo em nosso tempo, escrevo em nosso tempo, mas não estou preocupado especificamente em falar deste tempo ou negá-lo; então identificar os traços do nosso tempo na minha literatura não é apenas uma tarefa para outros, como para ser feita no futuro. O mesmo em relação a essa comparação, proximidade ou diálogo com autores da minha geração – posso dizer que a mim me interessa mais a diferença (se não posso falar de “exclusividade”), mas é claro que é inevitável que surjam traços e temas comuns na literatura de quem está produzindo hoje, de quem cresceu na mesma época, vendo os mesmos programas de TV, as mesmas leituras obrigatórias na escola. Acho que é isso, não é uma questão que eu possa responder&#8230;</p>
<p><strong>A exemplo do que alguns críticos chamaram de geração 90 e de outras escolas do passado, você acredita que faça parte de algo como uma geração 2000 ou de um trabalho literário que tenha, além de suas singularidades marcantes, também algo de coletivo ou transversal? Se isso existe, como se deveria denominar a sua geração?</strong></p>
<p>Não. A geração 90 foi um nome não apenas adotado pelos críticos, mas pelos próprios escritores que se encontravam, discutiam e acabaram gerando algumas publicações, como as antologias organizadas pelo Nelson de Oliveira e a revista PS:SP, do Marcelino Freire. Posso estar errado, mas a mim parece que essa geração tinha, se não um plano literário comum, pelo menos um relacionamento afetivo mais próximo, formavam uma turma. Isso sem falar em outros movimentos anteriores, como o Modernista. A minha geração não passou por isso. Tenho uma relação diplomática, cordial, e até carinhosa com alguns escritores de idade próxima da minha, mas nos encontramos apenas esporadicamente, por acaso, em eventos literários. Então, não há trabalho coletivo – e para mim parece muito natural e saudável; para mim, o grande prazer da literatura é essa independência de uma arte individual, se eu quisesse fazer algo coletivo faria cinema, ou música, ou teatro.  O que existe de comum, novamente, é espontâneo e eu não poderia localizar. Formamos uma geração – Geração Zero Zero, que seja – pela idade e por traços comuns não planejados.</p>
<p><strong>Muitos sectários, incluindo críticos e jornalista, ficaram congelados nos autores pré-anos 60, especialmente no que se convencionou chamar de modernismo, e afirmaram não encontrar nada de novo no que se produziu nas décadas subsequentes. No entanto, muita coisa inegavelmente surgiu de lá pra cá. Quais são as principais características dessa nova literatura contemporânea brasileira? O que há de peculiar nela? Em sua análise, que autores renovaram, de alguma forma, a literatura brasileira nos últimos 20 anos? Quem está renovando agora?</strong></p>
<p>Ah&#8230; Novamente, não é uma pergunta que eu possa responder. Mas talvez a grande mudança pela qual a literatura tenha passado dos anos 80 para cá seja o estreitamento com a cultura pop  &#8211; a apropriação de referências da “cultura de massa” em universos genuinamente literários. Depois dos anos 2000, quando o conceito de cultura de massa foi relativizado, talvez tenha havido uma maior “universalização fragmentada” dos temas e realidades retratados. A literatura deixou de espelhar especificamente nosso país, passou a focar universos próprios, individuais, que podem ecoar num leitor da Noruega ou causar um grande estranhamento num leitor argentino.</p>
<p><strong>Em suas descobertas como leitor e autor, quem são os autores estreantes que mais vem lhe chamaram a atenção recentemente, mesmo que sejam promessas? Você poderia nos indicar alguns nomes entre primeiros livros, blogueiros ou contatos diretos com jovens talentos? Há algo vindo das universidades?</strong></p>
<p>Há um jovem poeta e contista paulistano chamado Hugo Guimarães, que tem uma força espontânea e transgressora impressionante. Uma romancista carioca, Victoria Saramago, que está se tornando uma grande narradora. E Christiano Aguiar, um jovem literato do Recife que tem uma produção bem interessante.</p>
<p><strong>De alguma forma você acha que os nomes mais estabelecidos devem ajudar a iniciar ou descobrir esses potenciais novos autores?</strong></p>
<p>Não. Já é tão difícil para um autor encontrar leitores, encontrar outros autores é um extra, não um dever ou uma necessidade.</p>
<p><strong>Em que medida as plataformas digitais e a Internet afetaram a produção literária? Confundem-se, nas discussões, as questões o futuro da literatura e o futuro do livro, como objeto material. O que você pensa sobre esses temas?</strong></p>
<p>O livro é apenas um veículo, e sua sobrevivência é uma preocupação para as editoras. Eu escrevo, gosto do objeto livro, mas se ele morrer, estarei publicando em e-books, na tela, ou o que seja. De qualquer forma, acho que o boom da Internet modificou mais os temas literários do que os suporte. Os autores tiveram espaço e puderam concentrar-se em universos mais particulares, como eu já disse, e foi basicamente isso. A Internet não modificou tanto o texto literário em si, a forma da escrita e o formato dos livros. E se a escrita não é alterada com isso, não devemos nos preocupar com o futuro, morte ou sobrevida do livro impresso. Isso é para os fabricantes de papel.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.offline.com.br/blog/?feed=rss2&amp;p=882</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Entrevista com Michel Laub</title>
		<link>http://www.offline.com.br/blog/?p=879</link>
		<comments>http://www.offline.com.br/blog/?p=879#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 13 Aug 2010 19:54:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.offline.com.br/blog/?p=879</guid>
		<description><![CDATA[Entrevista com Michel Laub por Denise Godinho

Que aspectos de sua literatura você considera que o inscrevem em nosso tempo? Há similitudes entre sua literatura e a produção de outros autores da mesma geração que a sua capazes de configurar alguma proximidade ou diálogo? 
O fato de eu escrever hoje já me põe nesse tempo. Não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entrevista com Michel Laub por Denise Godinho</p>
<p><img class="alignnone" title="Michael" src="http://bravonline.abril.com.br/imagem/140_li_critica_g.jpg" alt="" width="378" height="210" /></p>
<p><strong>Que aspectos de sua literatura você considera que o inscrevem em nosso tempo? Há similitudes entre sua literatura e a produção de outros autores da mesma geração que a sua capazes de configurar alguma proximidade ou diálogo? </strong></p>
<p>O fato de eu escrever hoje já me põe nesse tempo. Não há como voltar atrás: é como pedir para alguém voltar a ser ingênuo. Mesmo se eu tentar fugir das questões de hoje, usando linguagem e temas antigos, isso será um pastiche, uma ironia, algo assim &#8211; uma forma de falar de hoje até mesmo por contraste, por oposição. Quanto à literatura atual, a maior característica dela é a multiplicidade, então é difícil falar de diálogo com alguém, especificamente. Ao mesmo tempo, acho que dialogo com todos pelo simples fato de escrever na mesma época que eles.</p>
<p><strong>A exemplo do que alguns críticos chamaram de geração 90 e de outras escolas do passado, você acredita que faça parte de algo como uma geração 2000 ou de um trabalho literário que tenha, além de suas singularidade s marcantes, também algo de coletivo ou transversal? Se isso existe, como se deveria denominar a sua geração?</strong></p>
<p>Se fizer parte, é só por cronologia. (ver resposta anterior)</p>
<p><strong>Muitos sectários, incluindo críticos e jornalista, ficaram congelados nos autores pré-anos 60, especialmente no que se convencionou chamar de modernismo, e afirmaram não encontrar nada de novo no que se produziu nas décadas subsequentes. No entanto, muita coisa inegavelmente surgiu de lá pra cá. Quais são as principais características dessa nova literatura contemporânea brasileira? O que há de peculiar nela? Em sua análise, que autores renovaram, de alguma forma, a literatura brasileira nos últimos 20 anos? Quem está renovando agora?</strong></p>
<p>A multiplicidade, como disse antes. Há textos das mais diversas características e para todos os gostos. Os meios mudaram, também, com internet e barateamento das edições. Mas não sei ainda dizer no que isso vai influenciar a literatura em si &#8211; e certamente vai influenciar: o fato de haver tantas vozes tão diferentes entre si, por exemplo, já se deve ao fato de que é mais fácil essas vozes virem a público.</p>
<p><strong>Em suas descobertas como leitor e autor, quem são os autores estreantes que mais vem lhe chamaram a atenção recentemente, mesmo que sejam promessas? Você poderia nos indicar alguns nomes entre primeiros livros, blogueiros ou contatos diretos com jovens talentos? Há algo vindo das universidades?</strong></p>
<p>Deve ter uns 50 escritores bons ou com potencial que publicaram um ou dois livros nos últimos cinco anos. Só de gaúchos eu lembro de Antonio Xerxenesky, Carol Bensimon, Alexandre Rodrigues e vários outros.</p>
<p><strong>De alguma forma você acha que os nomes mais estabelecidos devem ajudar a iniciar ou descobrir esses potenciais novos autores?</strong></p>
<p>Na medida do possível eles podem ajudar. Mas eu não falaria em &#8220;dever&#8221;. Cada um faz o que acha melhor.</p>
<p><strong>Em que medida as plataformas digitais e a Internet afetou a produção literária?<br />
</strong></p>
<p>Confundem-se, nas discussões, as questões o futuro da literatura e o futuro do livro, como objeto material.</p>
<p><strong>O que você pensa sobre esses temas?<br />
</strong></p>
<p>A princípio, internet é meio. Mas é ingênuo achar que esse meio não vai acabar influenciando a literatura &#8211; basta ver a linguagem que se usa hoje num email, por exemplo, comparada à linguagem de uma carta de 20 anos atrás. Ou a forma como a questão da intimidade é tratada hoje. Enfim, há muitos exemplos, e claro que em algum ponto isso tudo vai acabar aparecendo, se não apareceu ainda, na ficção.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.offline.com.br/blog/?feed=rss2&amp;p=879</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Entrevista com Mariana Ianelli</title>
		<link>http://www.offline.com.br/blog/?p=877</link>
		<comments>http://www.offline.com.br/blog/?p=877#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 13 Aug 2010 19:47:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.offline.com.br/blog/?p=877</guid>
		<description><![CDATA[Entrevista com Mariana Ianelli por Denise Godinho

Que aspectos de sua literatura você considera que a inscrevem em nosso tempo? Há similitudes entre sua literatura e a produção de outros autores da mesma geração que a sua capazes de configurar alguma proximidade ou diálogo?
Acho que somos todos herdeiros daquele &#8220;crepúsculo ontológico&#8221; sobre o qual falava George [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entrevista com Mariana Ianelli por Denise Godinho<br />
<img class="alignnone" title="marina" src="http://rascunho.rpc.com.br/imagemanager/images/mariana_ianelli.jpg" alt="" width="422" height="295" /></p>
<p><strong>Que aspectos de sua literatura você considera que a inscrevem em nosso tempo? Há similitudes entre sua literatura e a produção de outros autores da mesma geração que a sua capazes de configurar alguma proximidade ou diálogo?</strong></p>
<p>Acho que somos todos herdeiros daquele &#8220;crepúsculo ontológico&#8221; sobre o qual falava George Steiner, referindo-se ao clima espiritual do século 20. A literatura do início do novo século responde a esse legado de diversas maneiras, absorvendo para a linguagem a violência, o acaso, o ceticismo, e também, em alguns casos, ousando um novo pacto de fé, mesmo que hoje um senso de comunidade geralmente desperte à força de uma tragédia em larga escala. É a esse princípio de fé que me alio, e que de algum modo inscreve meu trabalho na atualidade, por um aspecto humano básico de sede de sentido e de beleza. Percebo sinais de um renascimento do lirismo, de uma revalorização do primordial e do inefável na poesia, malgrado certa ânsia de desmistificação do trabalho criativo. Exemplo disso é o poema infinito de Marcelo Ariel e o trabalho de Gilberto Tadeu Nable, autores que me emocionam por uma afinidade de sentimento poético.</p>
<p><strong>A exemplo do que alguns críticos chamaram de geração 90 e de outras escolas do passado, você acredita que faça parte de algo como uma geração 2000 ou de um trabalho literário que tenha, além de suas singularidades marcantes, também algo de coletivo ou transversal? Se isso existe, como se deveria denominar a sua geração?</strong></p>
<p>Existem algumas linhas de força, sem dúvida, embora seja difícil caracterizá-las como definidoras de uma geração. Talvez um ponto de convergência entre essas diferentes tendências de criação e expressão verbal esteja na experiência do pensamento poético ela mesma, a experiência do pensamento em suas possibilidades de linguagem, presumivelmente um desdobramento da autoconsciência e da autocrítica características dos poetas da modernidade. Fato é que a aparente liberdade formal e expressiva não nos desobriga de um dever para com a linguagem, muito ao contrário, esse dever, ou ainda, essa lealdade se manifesta tanto em uma instância conceitual como na dimensão do imponderável, do caráter, digamos, sagrado da palavra. Daí que tão diferentes poéticas possam em algum ponto se encontrar. Como denominar nossa geração? Não saberia dizer, mas o poeta Alberto Pucheu, que propõe em seu trabalho poético um intercurso entre o literário e o filosófico, fala em uma poética do pensamento, em uma &#8220;literaturavida&#8221;, essa encruzilhada em que a palavra e o silêncio, a criação e a vida se procuram na linguagem.</p>
<p><strong>Muitos sectários, incluindo críticos e jornalistas, ficaram congelados nos autores pré-anos 60, especialmente no que se convencionou chamar de modernismo, e afirmaram não encontrar nada de novo no que se produziu nas décadas subsequentes. No entanto, muita coisa inegavelmente surgiu de lá pra cá. Quais são as principais características dessa nova literatura contemporânea brasileira? O que há de peculiar nela? Em sua análise, que autores renovaram, de alguma forma, a literatura brasileira nos últimos 20 anos? Quem está renovando agora?</strong></p>
<p>Por um lado, vejo uma poesia autoreferencial, metalinguística, e, mais do que isso, um pensamento poético pensando a si próprio, como queria Alain Badiou. Vejo também uma poesia que recupera o prestígio do verso, sem por isso deixar de estar profundamente inserida no contexto atual, por seu caráter reflexivo, suas camadas de significado. A meu ver, a trilogia de poemas em prosa de Juliano Garcia Pessanha (Sabedoria do Nunca; Ignorância do Sempre; Certeza do Agora &#8211; livros publicados entre 1999 e 2002) revitaliza o valor do conhecimento poético no seu impacto existencial. A obra poética de Paulo Henriques Britto também me parece ocupar um lugar importante na literatura em termos de renovação, pois conjuga de modo singularíssimo o coloquial e a forma clássica, além de dar novo frescor ao tema já exaustivamente perscrutado da metalinguagem. A poesia de Claudia Ahimsa é também renovadora, uma poesia de &#8220;pensamentos revolutivos&#8221;, como ela mesma diz, que revela uma mundividência, uma presença mítica e histórica do passado no mundo de hoje. Quem está renovando agora, eu diria, é Marcos Siscar, que acaba de lançar &#8220;Interior Via Satélite&#8221;, bela coletânea de poemas em prosa que, nos seus mais variados temas, põe a linguagem a refletir, em sua sintaxe, as nuances do próprio pensamento poético.</p>
<p><strong>Em suas descobertas como leitor e autor, quem são os autores estreantes que mais vem lhe chamaram a atenção recentemente, mesmo que sejam promessas?<br />
Você poderia nos indicar alguns nomes entre primeiros livros, blogueiros ou contatos diretos com jovens talentos? Há algo vindo das universidades?</strong></p>
<p>Eu destacaria o trabalho de Álvaro Miranda, com seu livro &#8220;A casa toda nave cega voa&#8221;, um conjunto de sonetos de grande apuro rítmico e concentração imagética que divagam poeticamente pelo tema da casa. O trabalho de Henrique Rodrigues, formado em Letras e mestre em Literatura, autor de &#8220;A musa diluída&#8221;, também merece destaque. Seus poemas renovam o verso clássico, têm densidade reflexiva. Outro belo livro é &#8220;Pássaro de Vidro&#8221;, estreia de Carlos Machado na poesia. Aliás, Carlos Machado é também criador do boletim poesia.net [www.algumapoesia.com.br], que traz quinzenalmente algum poeta da literatura brasileira ou estrangeira, clássico ou contemporâneo, o que nos oferece um riquíssimo panorama crítico-apresentativo, um trabalho ao qual o autor se dedica já há 7 anos.</p>
<p><strong>De alguma forma você acha que os nomes mais estabelecidos devem ajudar a iniciar ou descobrir esses potenciais novos autores?</strong></p>
<p>Acho importante que os veteranos estejam atentos aos novos e, na medida do possível, que colaborem com algum estímulo, sim. Mas acredito também que na iniciação de um poeta há sutilezas que não se ensinam, que escapam às questões de domínio técnico, um determinado nível de iniciação que precisa ser vivido solitária e individualmente, sem auxílio, e aqui me refiro à busca de uma voz própria, o que chamamos de estilo e Cristina Campo chamava de &#8220;pronúncia da alma&#8221;.</p>
<p><strong>Em que medida as plataformas digitais e a Internet afetaram a produção literária? Confundem-se, nas discussões, as questões o futuro da literatura e o futuro do livro, como objeto material. O que você pensa sobre esses temas?</strong></p>
<p>A internet proporcionou uma verdadeira avalanche de textos. Em termos de divulgação de novos escritores, a rede virtual funciona excelentemente, mas claro que há no meio disso um sem número de textos de qualidade duvidosa.<br />
Penso que em certa medida a ânsia de produtividade e auto-exposição também subtraem do processo criativo algo dessa condição fundamental de silêncio e paciência que contribui para o amadurecimento de um escritor. Quanto ao futuro do livro, não acredito absolutamente que as plataformas digitais venham a concorrer com o objeto material, acho que se trata apenas de um novo suporte. O livro terá sempre seus atrativos insubstituíveis, seu peso, sua textura, seu cheiro, tudo isso que desperta o prazer dos sentidos e faz tão íntimo o momento da leitura. A plataforma digital tem outras vantagens, de ordem prática, utilitária.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.offline.com.br/blog/?feed=rss2&amp;p=877</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Confira as entrevistas na integra da ed. da Bienal</title>
		<link>http://www.offline.com.br/blog/?p=871</link>
		<comments>http://www.offline.com.br/blog/?p=871#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 13 Aug 2010 16:40:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.offline.com.br/blog/?p=871</guid>
		<description><![CDATA[Clique e confira as entrevistas na integra que sairam na nova edição da OffLine, a revista oficial da Bienal do Livro de SP.
Fabrício Carpinejar

Joca Reiners Terron

Carol Bensimon

Henrique Rodrigues

Antônio Xerxenesky

Emilio Fraia

Santiago Nazariam

Joca Reiners Terron

Mariana Ianelli

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Clique e confira as entrevistas na integra que sairam na nova edição da OffLine, a revista oficial da Bienal do Livro de SP.</p>
<p><a href="http://www.offline.com.br/blog/?p=851">Fabrício Carpinejar</a></p>
<p><a href="http://www.offline.com.br/blog/?p=851"><img class="alignnone" title="Carpinejar" src="http://img2.orkut.com/images/milieu/1272351510/1281714666468/3039523/of/Zmj5nm.jpg?ver=1281714666&amp;sig=1iz49g6" alt="" width="160" height="114" /></a></p>
<p><a href="http://www.offline.com.br/blog/?p=849">Joca Reiners Terron</a></p>
<p><a href="http://www.offline.com.br/blog/?p=849"><img class="alignnone" title="JOca" src="http://img4.orkut.com/images/milieu/1272351510/1281714682650/3039523/of/Zfp8ds0.jpg?ver=1281714682&amp;sig=1442z18" alt="" width="160" height="114" /></a></p>
<p><a href="http://www.offline.com.br/blog/?p=853">Carol Bensimon</a></p>
<p><a href="http://www.offline.com.br/blog/?p=853"><img class="alignnone" title="Carol" src="http://img1.orkut.com/images/milieu/1272351510/1281714684833/3039523/of/Zrcxfvt.jpg?ver=1281714684&amp;sig=1pt3anx" alt="" width="160" height="114" /></a></p>
<p><a href="http://www.offline.com.br/blog/?p=855">Henrique Rodrigues</a></p>
<p><a href="http://www.offline.com.br/blog/?p=855"><img class="alignnone" title="Henrique" src="http://img2.orkut.com/images/milieu/1272351510/1281714680671/3039523/of/Zzhpcjf.jpg?ver=1281714680&amp;sig=1xvn2nm" alt="" width="160" height="114" /></a></p>
<p><a href="http://www.offline.com.br/blog/?p=857">Antônio Xerxenesky</a></p>
<p><a href="http://www.offline.com.br/blog/?p=857"><img class="alignnone" title="Antonio" src="http://img2.orkut.com/images/milieu/1272351510/1281714788121/3039523/of/Zx6i7r.jpg?ver=1281714788&amp;sig=3720rw" alt="" width="160" height="114" /></a></p>
<p><a href="http://www.offline.com.br/blog/?p=844">Emilio Fraia</a></p>
<p><a href="http://www.offline.com.br/blog/?p=844"><img class="alignnone" title="Emilio" src="http://img1.orkut.com/images/milieu/1272351510/1281714676037/3039523/of/Z1degfjs.jpg?ver=1281714676&amp;sig=1wjq5kk" alt="" width="160" height="114" /></a></p>
<p><a href="http://www.offline.com.br/blog/?p=882">Santiago Nazariam</a></p>
<p><a href="http://www.offline.com.br/blog/?p=882"><img class="alignnone" title="santiago" src="http://images.orkut.com/orkut/photos/OQAAAD1vtjPtEY1rVKxxWpUMeauy40CF2ZRhH9PlLvv4FPJWxCAd57h3nipKfbnKzO50Vl7BOCK9RvIBxpBrGS6dT8IAm1T1UCGHtVYly4Ntb_pWjtI2dY0C0CYm.jpg" alt="" width="164" height="103" /></a></p>
<p><a href="http://www.offline.com.br/blog/?p=849">Joca Reiners Terron</a></p>
<p><a href="http://www.offline.com.br/blog/?p=849"><img class="alignnone" title="Joca" src="http://images.orkut.com/orkut/photos/OQAAAKv4_ictK7mcuJzHrpsYizf4TVMuxMFkPiFnhQHmNS5BzglE3hwRIMlKxkYN2x8UgMzcHqv5_ERbTcdTzlXUtXUAm1T1UFDl3BfibX-3GTb-J6-m5UZZGQB7.jpg" alt="" width="159" height="99" /></a></p>
<p><a href="http://www.offline.com.br/blog/?p=877">Mariana Ianelli</a></p>
<p><a href="http://www.offline.com.br/blog/?p=877"><img class="alignnone" title="mariana" src="http://images.orkut.com/orkut/photos/OQAAABYXt2snQY8ERJIVCDQPdk4YrYa6JrJa965t7KoV-ay846P1aL4uJqFD682gg-mw358opJ5pBDtsjJre3dXLbOcAm1T1UGGca7mf1XRzNPr1Hd8LvZNLZQJb.jpg" alt="" width="159" height="99" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.offline.com.br/blog/?feed=rss2&amp;p=871</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Entrevista com Carol Bensimon</title>
		<link>http://www.offline.com.br/blog/?p=853</link>
		<comments>http://www.offline.com.br/blog/?p=853#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 13 Aug 2010 16:08:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.offline.com.br/blog/?p=853</guid>
		<description><![CDATA[Entrevista com Carol Bensimon por Denise Godinho

Que aspectos de sua literatura você considera que o inscrevem em nosso tempo? Há similitudes entre sua literatura e a produção de outros autores da mesma geração que a sua capazes de configurar alguma proximidade ou diálogo?
Acho que ninguém escreve pensando &#8220;preciso criar uma trama contemporânea e fazer uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entrevista com Carol Bensimon por Denise Godinho</p>
<p><img class="alignnone" title="Carol" src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2009/11/02693_gg.jpg" alt="" width="468" height="312" /></p>
<p><strong>Que aspectos de sua literatura você considera que o inscrevem em nosso tempo? Há similitudes entre sua literatura e a produção de outros autores da mesma geração que a sua capazes de configurar alguma proximidade ou diálogo?</strong></p>
<p>Acho que ninguém escreve pensando &#8220;preciso criar uma trama contemporânea e fazer uma análise absolutamente contemporânea nesse romance&#8221;, mas é claro que isso acaba acontecendo, afinal estamos vivendo nesse mundo, nessa época, e é sobre suas particularidades que queremos falar. Portanto muitos dos autores que nasceram no fim da década de 1970 ou no início da de 1980 &#8211; eu, Antônio Xerxenesky, João Paulo Cuenca, Vanessa Bárbara e muitos outros &#8211; têm algo em comum. Ao mesmo tempo, somos todos muito diferentes, porque cada um tem seu filtro e, além disso, vivemos um período de grande liberdade estética, de modo que cada escritor usa isso à sua maneira.<br />
Mas a questão é bem complicada. É muito difícil olhar de dentro e chegar a alguma conclusão relevante.</p>
<p><strong>A exemplo do que alguns críticos chamaram de geração 90 e geração 2000 e de outras escolas do passado, você acredita que faça parte de algo como uma geração 2010? Se isso existe, como se deveria denominar a sua geração?</strong></p>
<p>Acho que essa definição cabe mais à crítica do que ao escritor, e há boa gente fazendo esse trabalho, como a Heloísa Buarque de Hollanda. Minha preocupação é escrever, e não procurar algum tipo de filiação em um grupo. Se os críticos acham traços que definem uma geração, ótimo, quero dizer, sou sempre curiosa à respeito dessas conclusões, até porque tenho certeza que esses traços em comum existem. Mas talvez só seja possível vê-los com mais nitidez com a distância de algumas décadas.</p>
<p><strong>De alguma forma você acha que os nomes mais estabelecidos devem ajudar a iniciar ou descobrir esses potenciais novos autores?</strong></p>
<p>Alguns escritores tem um interesse natural em dialogar com a nova geração, outros mal sabem o que está acontecendo. Não dá para dizer que uma postura é certa e a outra errada, são simplesmente perspectivas diferentes. Agora, é claro que um novo autor só tem a ganhar caso sua literatura chame a atenção de um &#8220;veterano&#8221;. Eu, por exemplo, tive a sorte de ser bem recomendada por gente como Luiz Ruffato e Daniel Galera (agradeço imensamente), os quais gostaram bastante do meu primeiro livro. É inegável que isso pode abrir portas.</p>
<p><strong>Em que medida as plataformas digitais e a Internet afetaram a produção literária? Confundem-se, nas discussões, as questões o futuro da literatura e o futuro do livro, como objeto material. O que você pensa sobre esses temas?</strong></p>
<p>Você levantou uma questão importante: muitas vezes se confunde o futuro do livro com o futuro da literatura, quando na verdade uma coisa é meio e outra é mensagem. Como não acredito nas previsões apocalípticas do tipo &#8220;fim da literatura&#8221; e &#8220;morte do romance&#8221;, prefiro falar do &#8220;suporte&#8221; livro. Ora, é inegável que, no ponto que estamos, somos totalmente passionais com livros. Gostamos do cheiro, gostamos de segurá-lo, de tocar nas páginas, e depois de vê-lo na estante. Nesse contexto, surgem os e-books, e muita gente fica alarmada. Eu particularmente acho que não há nada a temer, porque o livro só vai extinguir-se como suporte quando estivermos prontos para isso, ou seja, quando tivermos perfeitamente assimilado a nova tecnologia.<br />
Aliás, há pouco comprei um ipad, e estou adorando ler jornais, revistas e histórias em quadrinhos nele. É realmente perfeito para isso. Livros eu ainda não tentei por pura desconfiança com os preços. Para mim, faz bem pouco sentido que eles custem quase o mesmo preço que um livro de papel, já que os custos da versão digital são muito menores.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.offline.com.br/blog/?feed=rss2&amp;p=853</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Entrevista com Joca Reiners Terron</title>
		<link>http://www.offline.com.br/blog/?p=849</link>
		<comments>http://www.offline.com.br/blog/?p=849#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 13 Aug 2010 16:05:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.offline.com.br/blog/?p=849</guid>
		<description><![CDATA[Entrevista com Joca Reiners Terron por Denise Godinho.

Que aspectos de sua literatura você considera que o inscrevem em nosso tempo? Há similitudes entre sua literatura e a produção de outros autores da mesma geração que a sua capazes de configurar alguma proximidade ou diálogo?
Bem, meus personagens transitam nos dias de hoje, e não no passado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entrevista com Joca Reiners Terron por Denise Godinho.</p>
<p><a href="http://www.offline.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/08/Joca_Reiners_IsabelSantana.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-866" title="Joca_Reiners_IsabelSantana" src="http://www.offline.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/08/Joca_Reiners_IsabelSantana.jpg" alt="" width="408" height="298" /></a></p>
<p><strong>Que aspectos de sua literatura você considera que o inscrevem em nosso tempo? Há similitudes entre sua literatura e a produção de outros autores da mesma geração que a sua capazes de configurar alguma proximidade ou diálogo?</strong></p>
<p>Bem, meus personagens transitam nos dias de hoje, e não no passado ou no futuro. Minha cabeça é uma cabeça de agora, só poderia pertencer a este tempo. Suponho que isso credencie suficientemente meus livros a serem contemporâneos. Não creio que aspectos técnicos sejam medida suficiente para aproximar autores de uma geração. O que faz a singularidade de um autor são seus temas, e os meus são só meus.</p>
<p><strong>A exemplo do que alguns críticos chamaram de geração 90 e de outras escolas do passado, você acredita que faça parte de algo como uma geração 2000 ou de um trabalho literário que tenha, além de suas singularidade s marcantes, também algo de coletivo ou transversal? Se isso existe, como se deveria denominar a sua geração?</strong></p>
<p>Não. E o fato de eu me dar muito bem com diversos autores de minha geração também não me circunscreve a nenhum clube. Sou o mais solitário de todos. Não gosto de turmas.</p>
<p><strong>Muitos sectários, incluindo críticos e jornalista, ficaram congelados nos autores pré-anos 60, especialmente no que se convencionou chamar de modernismo, e afirmaram não encontrar nada de novo no que se produziu nas décadas subsequentes. No entanto, muita coisa inegavelmente surgiu de lá pra cá. Quais são as principais características dessa nova literatura contemporânea brasileira? O que há de peculiar nela? Em sua análise, que autores renovaram, de alguma forma, a literatura brasileira nos últimos 20 anos? Quem está renovando agora?</strong></p>
<p>Eu precisaria escrever um ensaio para responder essa pergunta. No entanto, a crítica é mesmo viciada no passado e em mofo. Quem pode criticá-la? A maior parte dos autores também é. A literatura é mesmo uma arte do passado e de futuro incerto. Há, porém, muita gente boa produzindo atualmente. Eu gosto de André Sant&#8217;Anna, Vanessa Barbara, Daniel Galera, Fabrício Corsaletti, Angélica Freitas, Emilio Fraia, Leandro Sarmatz, Daniel Pellizzari, Carol Bensimon etc. Há outros mais.</p>
<p><strong>Em suas descobertas como leitor e autor, quem são os autores estreantes que mais vem lhe chamaram a atenção recentemente, mesmo que sejam promessas? Você poderia nos indicar alguns nomes entre primeiros livros, blogueiros ou contatos diretos com jovens talentos? Há algo vindo das universidades?</strong></p>
<p>Aposto em Daniel Galera e Fabrício Corsaletti, que são autores na faixa dos 30 anos e muito bem estabelecidos. Ainda com vinte e poucos, creio que Emilio Fraia e Leandro Sarmatz ainda realizarão coisas geniais. Não conheço bem o que acontece nas universidades, pois não tenho nenhum vínculo com elas. Espero, entretanto, que de lá surjam críticos que se interessem pelo que vem sendo produzido recentemente.</p>
<p><strong>De alguma forma você acha que os nomes mais estabelecidos devem ajudar a iniciar ou descobrir esses potenciais novos autores?</strong></p>
<p>Faço o que posso em relação a isso. Gosto inclusive de pensar que sou uma espécie de agente literário secreto trabalhando em prol dos novos autores brasileiros. Também acredito que esse cenário que está aí, de prêmios, debates e festas literárias, foi construído pelos autores de minha idade, entre 40 e 50 anos. Antes de nós, não havia nada disso. Os novos podem começar a nos agradecer desde já.</p>
<p><strong>Em que medida as plataformas digitais e a Internet afetou a produção literária? Confundem-se, nas discussões, as questões o futuro da literatura e o futuro do livro, como objeto material. O que você pensa sobre esses temas?</strong></p>
<p>Afetou na comunicação e no diálogo, que se tornou mais intenso e mais veloz. Quanto à forma, não acho que afetou de modo significativo. Quanto ao futuro, eu não penso: a literatura e o livro irão permanecer enquanto o ser humano permanecer.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.offline.com.br/blog/?feed=rss2&amp;p=849</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Entrevista com Fabrício Carpinejar</title>
		<link>http://www.offline.com.br/blog/?p=851</link>
		<comments>http://www.offline.com.br/blog/?p=851#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 13 Aug 2010 16:00:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.offline.com.br/blog/?p=851</guid>
		<description><![CDATA[Entrevista com Fabrício Carpinejar por Denise Godinho.

Que aspectos de sua literatura você considera que o inscrevem em nosso tempo? Há similitudes entre sua literatura e a produção de outros autores da
mesma geração que a sua capazes de configurar alguma proximidade ou diálogo?
Gosto muito de uma expressão de Elias Canetti: o poeta é um farejador de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entrevista com Fabrício Carpinejar por Denise Godinho.</p>
<p><a href="http://www.offline.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/08/Carpinejar-Renata-Stoduto1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-864" title="Carpinejar- Renata Stoduto" src="http://www.offline.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/08/Carpinejar-Renata-Stoduto1.jpg" alt="" width="283" height="427" /></a></p>
<p><strong>Que aspectos de sua literatura você considera que o inscrevem em nosso tempo? Há similitudes entre sua literatura e a produção de outros autores da<br />
mesma geração que a sua capazes de configurar alguma proximidade ou diálogo?</strong></p>
<p>Gosto muito de uma expressão de Elias Canetti: o poeta é um farejador de seu tempo. Ou seja, mexer no cotidiano, provocar o óbvio a trocar de roupa, não<br />
aceitar o que é consensual, mostrar a língua ao senso comum. A originalidade sempre foi irreverente, a verdade sempre foi inconveniente.<br />
Muito menos não cabe fingir que estamos na posteridade quando escrevemos. Minha família não é Lispector, Drummond, Rubem Braga, admiro eles, mas não vou<br />
usá-los como fiador para me tornar maior do que realmente sou. Minha família é minha família. Não tememos o efêmero, o provisório. É a primeira geração que veio da internet, e entendeu que não dependia da editora para escrever ou ser conhecido. Dependia tão-somente da boa literatura e de circular sem medo do ridículo.</p>
<p><strong>A exemplo do que alguns críticos chamaram de geração 90 e de outras escolas do passado, você acredita que faça parte de algo como uma geração<br />
2000 ou de um trabalho literário que tenha, além de suas singularidades marcantes, também algo de coletivo ou transversal? Se isso existe, como se<br />
deveria denominar a sua geração?</strong></p>
<p>GG &#8211; Geração Google. É quando não há mais originais, rascunhos e os textos já nascem na rede. Nossa memória é feita de links.</p>
<p><strong>Muitos sectários, incluindo críticos e jornalista, ficaram congelados nos autores pré-anos 60, especialmente no que se convencionou chamar de modernismo, e afirmaram não encontrar nada de novo no que se produziu nas décadas subsequentes. No entanto, muita coisa inegavelmente surgiu de lá pra cá. Quais são as principais características dessa nova literatura contemporânea brasileira? O que há de peculiar nela? Em sua análise, que<br />
autores renovaram, de alguma forma, a literatura brasileira nos últimos 20 anos? Quem está renovando agora?</strong></p>
<p>Talvez o humor seja o que me une aos meus contemporâneos. Talvez a grande virtude seja não se envergonhar da tradição e largar aquela pose de vanguarda, aquela necessidade megalomaníaca de zerar o passado para anunciar o futuro. Não desejamos mudar o mundo, mas aceitá-lo. Cito bons autores que ficarão: Luiz Ruffato e Marçal Aquino na prosa e Fabrício Corsaletti e Paulo Scott na poesia.</p>
<p><strong>Em suas descobertas como leitor e autor, quem são os autores estreantes que mais vem lhe chamaram a atenção recentemente, mesmo que sejam promessas? Você poderia nos indicar alguns nomes entre primeiros livros, blogueiros ou contatos diretos com jovens talentos? Há algo vindo das universidades?</strong></p>
<p>É o que mais acontece: o feitiço do tato, do olfato, encontrar unha dentro do livro, cabelo, farelo de pão, humanidade úmida. Angélica Freitas ou Ana Martins Marques provam que a poesia brasileira será das mulheres nas próximas décadas.</p>
<p><strong>De alguma forma você acha que os nomes mais estabelecidos devem ajudar a iniciar ou descobrir esses potenciais novos autores?</strong></p>
<p>Certamente, toda asa do pássaro é degrau da árvore. Quando aprecio um jovem autor, já saio espalhando como fofoca. Procuro sair de mim com frequencia para não me intoxicar. Festejo cada voz que surge dentro do livro e me anima a ficar em silêncio lendo.</p>
<p><strong>Em que medida as plataformas digitais e a Internet afetou a produção literária? Confundem-se, nas discussões, as questões o futuro da literatura e o futuro do livro, como objeto material. O que você pensa sobre esses temas?</strong></p>
<p>O livro é um fetiche, uma das melhores invenções. Não há como eliminá-lo. É nossa pálpebra. As redes sociais só estão servindo para divulgá-lo ainda mais. Nunca houve tanta saudade do papel como agora.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.offline.com.br/blog/?feed=rss2&amp;p=851</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Entrevista com Henrique Rodrigues</title>
		<link>http://www.offline.com.br/blog/?p=855</link>
		<comments>http://www.offline.com.br/blog/?p=855#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 13 Aug 2010 15:57:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.offline.com.br/blog/?p=855</guid>
		<description><![CDATA[Entrevista com Henrique Rodrigues por Denise Godinho

Que aspectos de sua literatura você considera que o inscrevem em nosso tempo? Há similitudes entre sua literatura e a produção de outros autores da mesma geração que a sua capazes de configurar alguma proximidade ou diálogo? 
Isso eu não sei dizer bem. Se você considera a marca do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entrevista com Henrique Rodrigues por Denise Godinho</p>
<p><img class="alignnone" title="Henrique Rodrigues" src="http://blogdofialho.files.wordpress.com/2010/03/henrique-rodrigues-01.jpg" alt="" width="430" height="316" /></p>
<p><strong>Que aspectos de sua literatura você considera que o inscrevem em nosso tempo? Há similitudes entre sua literatura e a produção de outros autores da mesma geração que a sua capazes de configurar alguma proximidade ou diálogo? </strong></p>
<p>Isso eu não sei dizer bem. Se você considera a marca do nosso tempo a utilização de recursos eletrônicos para divulgação e troca, como blogs e redes socias, sim, estou nessa. Mas no caso de aspectos formais e de conteúdo do que é produzido, em que se privilegie o texto fragmentado na prosa e linguagem vulgar na poesia, que aparecem em muitos textos, não. Eu prezo muito pela técnica e o trabalho com a palavra, desde que comecei a estudar  e escrever literatura, há uns 15 anos. Por exemplo, gosto de escrever sonetos e outros tipos de poemas que chamam de &#8220;formas fixas&#8221;, o que não está tão na moda. Mas creio que seja melhor optar por algo atemporal do que seguir modismos.</p>
<p><strong>A exemplo do que alguns críticos chamaram de geração 90 e de outras escolas do passado, você acredita que faça parte de algo como uma geração 2010?Se isso existe, como se deveria denominar a sua geração?</strong><br />
Chamaram ironicamente de Geração 00 os escritores que surgiram nesse início de século. É difícil categorizar, pois além de estarmos vivendo esse tempo, tem muita gente escrevendo bem com diferentes vozes. A democratização da publicação, especialmente com os meios virtuais e a impressão por demanda, faz com que seja arbitrário colocar um rótulo no nosso tempo. Mas noto que está havendo um questionamento da vulgarização da palavra. Como os movimentos literários, desde Horácio, oscilam entre tradição e vanguarda, parece que esta última já bateu no teto e está voltando. Ou seja, parece que está voltando a ser valorizada a qualidade do texto, e não a pretensão inovadora de se inventar a roda.</p>
<p><strong>De alguma forma você acha que os nomes mais estabelecidos devem ajudar a iniciar ou descobrir esses potenciais novos autores?</strong><br />
Claro. Nem todos os autores consagrados gostam dos mais novos. Temem concorrência e mal dialogam com os próprios colegas de geração. Mas isso não é exclusivo do meio literário, está em todos os lugares. Há, no entanto, autores que não só dialogam com as novas gerações como também se renovam com esse contato, pois se trata de uma troca. Eu mesmo sou fruto de oficinas literárias ministradas por autores consagrados que me deram força e sugeriram caminhos.</p>
<p><strong>Em que medida as plataformas digitais e a Internet afetou a produção literária? Confundem-se, nas discussões, as questões o futuro da literatura e o futuro do livro, como objeto material. O que você pensa sobre esses temas?</strong></p>
<p>A chamada revolução digital foi e tem sido muito boa para a literatura. Falei no início do soneto. Ele é um formato muito moderno e adequado para se ler até num celular. Com a internet os escritores puderam sair da toca, trocar textos e conquistar seus leitores. Em relação ao livro impresso, não sei bem. Gosto muito mesmo deles, gosto de publicar neles, mas eu ainda fui educado com livros impressos. As gerações que estão nascendo nos últimos anos é que vão decidir isso. Para eles talvez seja mais natural a ideia de um e-book. Mas mesmo se o formato livro desaparecer, certamente a literatura não vai. Ela nasceu com o homem, e tal como ele, tende a se adaptar.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.offline.com.br/blog/?feed=rss2&amp;p=855</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
