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Caça ao trainee
Diversas empresas estão com vagas abertas para programas de trainee 2009. Para muitos, é a mais vantajosa porta de entrada no concorrido mercado de trabalho

Por Thiago Azanha

Procura-se universitário recém-formado, disposto a enriquecer seu currículo e demonstrar todo seu potencial numa grande empresa. Está interessado? Corra! As vagas para os programas de trainee estão abertas até setembro. Essa é sua chance de colocar em prática os conhecimentos adquiridos na graduação e de consolidar seu futuro profissional.

As principais empresas do Brasil estão com as inscrições abertas para o programa de trainee 2009. Os programas dão a oportunidade aos candidatos de conhecer todo o processo de funcionamento da empresa, no Brasil e até no exterior. As chances de ser efetivado ao término do programa são grandes, sendo esta a principal porta de entrada para as grandes corporações. O tempo de duração varia de dez meses a quatro anos. O candidato passa por diferentes etapas antes de ser contratado: (1) seleção do currículo cadastrado no site da empresa, (2) provas e testes online e/ou presenciais, (3) dinâmica(s) de grupo e (4) entrevistas individuais com executivos da área pretendida e com profissionais da área de Recursos Humanos.

Quem pode se candidatar a uma disputada vaga? Recém-formados ou formados há, no máximo, dois anos, em diferentes áreas de Exatas, Biológicas, Humanas e cursos técnicos. O interesse dos candidatos evidencia-se, por exemplo, no programa de trainee da Sadia, que espera receber 15 mil inscrições esse ano, um aumento de 20% em relação ao ano passado. Na Esso e na Gerdau, as inscrições chegaram à casa dos 20.000 currículos em 2007. O salário e os benefícios podem ser alguns dos atrativos. Na AmBev, o trainee recebe R$ 3.500 por mês, durante dez meses.

"O perfil desejado pelo trainee é, na maioria das vezes, de alguém que tem uma boa formação acadêmica, participou de atividades extracurriculares, como empresa Júnior, diretórios acadêmicos, trabalhos voluntários, ou seja, não se conforma apenas com o óbvio. É bom buscar maiores oportunidades, nunca permanecendo na sua zona de conforto", recomenda Fernanda Luz, coordenadora de projetos da Across, consultoria de desenvolvimento organizacional.

As empresas geralmente lançam programas de trainee para formar sucessores para posições de liderança e para "oxigenar" a organização com jovens talentos. Para o trainee, a vantagem é que ele já entra na empresa sendo submetido a situações de exposição, tendo contato direto com profissionais que ocupam cargos de liderança. Outra vantagem para o trainee é que, durante o programa,  lhe é oferecido um plano de desenvolvimento que, muito provavelmente, ele não teria se tivesse entrado na empresa de outra forma. "Devido aos investimentos despendidos em programas como esses, o que mais a empresa quer é que esse trainee dê bons resultados, portanto, se ele responder à altura, poderá  ter uma ascensão mais rápida dentro da companhia", revela Fernanda.

Quando o programa de treinamento acaba? "Se o profissional souber aproveitar as oportunidades que lhe são oferecidas, ele amadurecerá profissionalmente em pouco tempo, ao passo que um profissional que não foi submetido a esse tipo de iniciativa pode levar mais tempo para amadurecer profissionalmente. Em várias empresas, a maioria dos profissionais que compõe o corpo diretivo é de ex-trainees.

A respeito do provável futuro cargo dentro da empresa, Fernanda diz que a minoria das empresas oferece uma posição de gerência júnior quando termina o programa. A maioria oferece a garantia de um cargo de "senioridade", como o de analista sênior, por mais paradoxal que isso soe. Os estímulos da empresa eles já receberam durante o programa. Depois, cada trainee precisa pegar as rédeas de sua carreira a traçar, da maneira que achar melhor, seu plano de desenvolvimento profissional, mas oportunidades não lhe faltarão", completa.

O administrador Felipe Mendes iniciou sua carreira como Trainee na Research International em 1993. Felipe destaca que a RI não utilizou somente o nome da faculdade no currículo como único critério de seleção, mas optou por analisar cada candidato e sua vontade de cooperar com o sucesso da empresa. "Com o programa, tive a oportunidade de conhecer o negócio, suas origens, os problemas. Enfim, todo o processo, adquirindo uma visão generalista", afirma o atual diretor-geral da empresa no Brasil. Depois de ter participado do programa de trainee e ser efetivado, Felipe foi chamado para trabalhar, entre outras, na Kraft Foods, Phillip Morris e na Unilever - do Brasil, do Chile e do México -, onde permaneceu durante oito anos. Mas o destino lhe reservava outra agradável surpresa: foi convidado a retornar à companhia que o projetara para o mercado de trabalho. "O fato de eu ter feito o programa de trainee gerou um vínculo emocional diferente com a empresa. Tenho muito orgulho de poder voltar para a casa que me formou e poder crescer junto com ela", finaliza.
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