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Vitrola USB
Por Eder Bruno eder@offline.com.br

Nos tempo de contestação, o rock nunca precisou de um dia próprio. O gênero é um vovô e nunca necessitou de motivos para comemorações. Ora, se for para festejar, que seja em qualquer dia e no primeiro boteco que aparecer. Já a Bossa Nova, em suas bodas de ouro, soleniza o cinqüentenário, soprando as velinhas pelos cantos do país. Mas ela pode e cada um no seu quadrado! Se você acha que a música padronizou, então, meu caro, alivia a tua dor com uma bela canção. E diga chega aos dias internacionais, porque o dia é hoje e aqui.

Meu Deus! Um álbum duplo.

Neste mês, a audiometria torna-se mais independente e dá lugar às bandas que lutam por um espaço nessa cena tão difícil. E, abrindo esse novo formato, The Vain, a ban-da dos garotos de Taubaté, que de-buta em disco com Let them Come. Conheci o The Vain em meados de 2003 em um pub de São José dos Campos, interior de São Paulo. No começo, percebi que eram novatos e inexperien-tes, com canções cruas e pobres, harmonicamente. Mesmo assim, aqueles garotos conquistavam o público pela energia, disposição e sinceridade no palco. De lá pra cá, freqüentei diversos shows, muitos deles em que eram a banda de abertura. Notei uma grande evolução a cada apresentação, algo natural que culminou no álbum duplo de estréia. Vocês devem pensar: "Esses caras são loucos, logo no álbum de estréia, lançar um duplo, é insanidade". Pois bem, e um duplo bem gravado e bem produzido. Canções que grudam em nossa cabeça e se misturam entre referências do punk setentista e o velho e bom brit pop. Mas uma coisa o vocalista Bruno Botossi deixa claro: "Nossa maior influência é Blemish"( www.myspace.com/ blemishweb ), lendária banda da cena indie paulista.

O encarte vem caprichadinho com as letras das 22 canções. O CD começa com a psicodelia ensandecida de In the verge of sonic, mas as faixas que chamam a atenção no CD 1, (Impacto) são Shampoo, Umbrella, que leva a participação especial de Vivian Cunha, amiga da banda, e The devil lies among the drinks, que é realmente fodástica, com o arranjo cobertinho, dando vazão à melodia que transpira energia. Passando por belas toadas, chegamos em Spiral, última faixa do disco 1 e canção escolhida para o clipe da banda. O vídeo já circula pelo Youtube e pela página do Myspace dos caras ( www.myspace.com/ thevainbrasil ).

A faixa de abertura do segundo disco (Illumination) é Nightcrawlers, com uma base instrumental empolgante. Jackets & Coats e Colours Schemes começam com uma bateria marcada e potente, os riffs de ambas abrilhantam o arranjo. Caso não fosse duplo, o disco poderia acabar aí, mas ainda tem Beautiful Voices, com o vocal solo de Vivian e o fantástico arranjo de piano, que contribuem para o tom pop do álbum. E, se não bastasse a insanidade em lançar um álbum duplo, a última faixa tem quase 16 minutos, seguida de uma canção secreta There's a dawn ahead. Uma corajosa jogada de marketing que só acrescenta à cena independente da música. Os seis garotos de Taubaté, que se arriscam a cantar em inglês, já estão finalizando as datas da turnê européia e começam a conquistar um espaço próprio, após sete anos de estrada. Conseguiram produzir um trabalho profissional. Como diz o provérbio grego, "começar já é metade de toda ação".


RAPIDINHA COM Clemente )))
Clemente, ícone do punk no Brasil, fala um pouco sobre cultura urbana, política e novos projetos.
Clemente, no que você está se metendo agora?
Com a banda Inocentes, estamos preparando um CD de inéditas e lançando um DVD pela Monstro Discos. Na Plebe Rude, estou em processo de composição. Há ainda a banda/projeto Combat Rock, junto com o Ari do 365, o Redson do Cólera, o Mingau do Ultraje e o Alonso, na qual nos divertimos tocando The Clash. Tem um projeto que estou começando com a Sandra das Mercenárias e sou apresentador no Showlivre.com.
Qual a diferença do Clemente punk do início de carreira e o de agora?
Estou velho, gordo e careca (risos). Não só eu mudei, mas o mundo também mudou. O punk era muito importante na épo-ca, hoje não sei se ainda é, mas a energia ainda é a mesma.
Você não acha o NX Zero uma banda importante para o punk hoje?
Hahahahaha... Claro, ela prova o quanto os punks podem ser idiotas. Brincadeira! O pior é que eles são influenciados por isso.
Existe, hoje, uma corrente artística de rua to-mando força, e o grafite é uma expressão dis-so. Os princípios são parecidos com os do mo-vimento punk? Você acredita nessa relação?
Acho que tem a ver, sim, pois uma das inspiraçõesdo punk foi o Dadaísmo, que tinha como função tirar a arte das galerias e trazê-la ao nível das ruas. Isso realmente foi inspirador para o punk e o grafite faz exatamente isso.
O movimento hip-hop, por exemplo, está muito envolvido com a política e a junção da arte urbana com objetivo de crítica social. O que você pensa sobre isso? Você é envolvido em algum movimento político?
O hip-hop acabou substituindo o punk na periferia de São Paulo e do mundo. Acho válido e já participei muito, na juventude. Hoje, sou um apoiador, mas não acho que arte deva se misturar diretamente com ações políticas, senão ela perde a independência crítica, pois não importa se o mal é de direita ou esquerda, nós vamos criticá-lo. Agora... Letras panfletárias não são bem o caso. Nossas letras têm crítica social, mas nunca perderam a poesia. Se a crítica vier sem poesia, não faz sentido.
Na sua opinião, qual o maior idiota do Brasil?
O Brasil não tem um idiota só. Não podemos tirar a nossa parcela de culpa. Somos uns 220 milhões de idiotas. (risos)

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