
Uma das definições que o dicionário dá para a palavra rua é “caminho público ladeado de casas ou muros”. Outro significado dado é “a plebe, o povo”. Essas duas acepções da palavra, quando misturadas, transformam-se em cultura urbana. A rua, em suas expressões culturais, pode ser representada, na música, pelo hip-hop; nas artes, pelo grafite; e, no esporte, pelo basquete de rua, ou street ball.
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O basquete é inventado nos EUA, ainda no século 19, por um canadense de nome James Naismith. Fato curioso é o nome da cidade de origem do esporte, a mesma dos Simpsons, Springfield. Como todo esporte popular, foi parar nas ruas, mais precisamente nos guetos de grandes cidades norte-americanas. No ano de 1927, surge o famoso time norte-americano Harlem Globetrotters, trazendo a irreverência e habilidade das ruas para as quadras. Os Globetrotters foram criados por Abe Sapartein. Filho de poloneses, ele fundou a equipe apenas com jogadores negros que, na época, eram impedidos de jogar contra os brancos. A grande capacidade desses homens provenientes das esquinas periféricas norte-americanas era impressionante. Tanto é verdade que até hoje o esquadrão azul e vermelho viaja o mundo como embaixadores da paz.
Para se ter uma noção dos objetivos do streetball, é só se dar conta do que se trata realmente o jogo. Espetáculo! E esse parece ser mesmo o espírito do negócio. “Geralmente passamos aos atletas muito espetáculo, descontração, alegria e entretenimento com o público”, define o técnico Almir Gerônimo, da Liga Urbana de Basquete-Lub Rio. Dribles desconcertantes, enterradas mágicas e controle de bola estupendo. Todos os movimentos do streetball levam a platéia sempre ao delírio. É pura exibição. É um misto de esporte, performance e coreografia de dança.
No Brasil, o basquete tradicional sempre foi muito praticado. Até o começo dos anos 1980, era o segundo esporte do país, perdendo apenas para o futebol. Esse quadro impulsionou jovens a jogarem a modalidade nas ruas. Não existe uma data exata para a chegada do streetball por aqui, mas provavelmente veio junto com os movimentos de cultura urbana, como hip-hop, também no começo da década de 80. Assim como ocorre nos Estados Unidos, a conexão com a questão da exclusão é muito forte. O presidente da Lub Rio, Filó de Oliveira Filho – que trouxe a idéia de criar uma liga urbana de lá, mas com um viés social – sustenta essa tese. “Estamos estabelecendo uma rede de parceiros capazes de auxiliar a desenvolver um projeto social, incluindo órgãos governamentais, empresas e entidades da sociedade civil. Uma rede de organizações que têm como traço de união a preocupação em explorar caminhos que possam abrir novas perspectivas para a juventude.”
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