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Estátuas vivas rompem o silêncio
E quem disse que elas não falam? Alguns desses artistas de rua abriram uma exceção para OFFLINE e revelaram as dificuldades da profissão e os apertos com a polícia e os abusados

Por André Gravatá (Jornalismo, PUC) e Camila Braga (Jornalismo, Mackenzie)
andrericardodantas@gmail.com lamica.br@gmail.com
Arte Ana B
Foto: Camila Braga
Em alguns pontos da cidade de São Paulo, como o Parque do Ibirapuera e o Viaduto do Chá, é possível encontrar dezenas de personalidades, como Santos Dumont, Fernando Pessoa e até Lampião. Isso mesmo que você leu! É possível encontrar essas personalidades dando um show de performance pela metrópole. A grande maioria das estátuas vivas tem uma ligação direta com o teatro. E haja interpretação para representar um personagem e ainda agüentar inúmeras brincadeiras, tendo de permanecer imóvel!
Quem pensa que é só colocar uma roupa, se pintar e fazer uma pose na rua para ser uma estátua viva está muito enganado. Há uma enorme preparaгo e investimento para realizar esse tipo de trabalho, como nos conta o artista plástico Azerutan, 44 anos, estátua viva há 12. "Não nos subestimem, porque nós somos formados, somos professores, somos artistas. Eu faço altas pesquisas para estar aqui em cima, faço ioga, teatro, dança e treino muito. Às vezes, demoro seis meses com pesquisa e gasto mil reais com roupas."
Foto: Anna Carolina Russo

Ao se deparar com esse tipo de arte, muitos são aqueles que começam a fazer piadas e rir, para ver se a estátua tem alguma reação. "O que mais tem são pessoas que querem tirar a gente do sério, fazer a gente rir, até crente manda a gente se converter, dizendo que Jesus está voltando e a gente vai parar no inferno", comenta Marcos Ernesto, 35 anos, o "Lampião". "Xingam minha mãe toda hora, me mandam para aquele lugar, me atiram pedra no rosto, me roubam e até me derrubam", conta Azerutan.

"Na Virada Cultural, dois meninos foram olhar embaixo da minha saia pra tirar foto. Levantaram a saia, daí eu bati o pé, olhei pra baixo, fiz cara feia e um mês depois encontrei a foto na internet. E a foto ficou muito engraçada!", lembra Andreza Spina, uma garota de apenas 17 anos que há um ano começou a fazer sua boneca-estátua. "Iniciei esse trabalho em um momento de dificulda de, mas hoje em dia eu sou apaixonada pela minha bonequinha", confessa Andreza.

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Em relação а caracterização dos personagens, a tinta é essencial. Depois de um dia de trabalho, tirar a pintura do corpo é uma segunda jornada de esforço. Andreza comenta que tem de tomar vários banhos para se esfregar e fazer com que a tinta saia. E será que não incomoda? "Incomoda, sim: os mosquitos que param em você, achando que você é uma estátua de verdade - eles são o melhor público, realmente dizem se você está parecendo uma estátua ou não", diverte-se a jovem artista.

Mesmo realizando um trabalho tão detalhista e levando arte e entretenimento para as ruas, essas pessoas chegam a ter problemas com a polícia e as justificativas das autoridades sгo um pouco confusas: "alegam que a gente está poluindo a cidade, que não pode ficar na rua porque é confundido com camelô, porque tem muita gente nos olhando... tudo eles alegam", afirma Azerutan.

Marcos conta os seus apertos com a polícia: "Já levei até voz de prisão no largo São Bento. Expliquei que eu era um profissional que estava ali, trabalhando e eles nem quiseram saber. Tratam a gente como lixo, como qualquer outra coisa, menos trabalhador, menos artista profissional".

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