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Vitrola USB
Por Eder Bruno eder@offline.com.br

 
Sou apenas o jornalista. Não entrego as músicas, eu as compartilho. De forma pífia, a paródia tosca da frase do Bob Dylan embala o início dessa empreitada que, mensalmente, por meio dessas páginas musicalizadas, relata breves informações sobre o mundo da música, sob a acidez deste que lhes escreve nesta singela coluna denominada Vitrola USB. Parece certidão de nascimento, credo!

Para iniciar em bom estilo, segue um recadinho de uma galera que faz acontecer e que é referência no trabalho deste pobre colunista. uma breve entrevista com Hélio Flanders, do Vanguart, a banda do momento, e a resenha do novo e esperado álbum Viva la vida or death and all his friends do Coldplay.

 

 

Audiometria )))

Não foi mera questão supersticiosa, mas escutar o novo álbum do Coldplay, em uma sexta-feira, 13, ou seja, no último dia em que estaria disponibilizado na página da banda no Myspace, e com o intuito de ser a primeira resenha da primeira coluna, não seria começar com o pé direito. Então, decidi adiantar um dia e escrevi no dia 12 de junho, dia dos namorados, uma referência à banda mais fofinha do mundo. Quem sabe o Coldplay não me ajuda a pensar num presente pra namorada? Mas, sem muita churumelas, vamos ao disco. É o quarto álbum de estúdio dos ingleses, liderados por Chris Martin, marido da deliciosa Gwyneth Paltrow.

Viva la vida, como é chamado, vem em homenagem à pintura da famosa artista mexicana do século XX, Frida Kahlo. La liberté guidant le peuple (A liberdade guiando o povo), pintura do francês Eugène Delacroix, estampa a capa do disco. É uma referência à revolução de julho de 1830 pelo trono da, até então, monarquia Bourbon. Mas isso não vem ao caso nem é minha especialidade.

Logo de cara está a canção Life In Technicolor, com seu violãozinho acústico e melodia em progressão na mais pura marcha lenta. A canção engata segunda com a batera ditando o ritmo e, quando a harmonia começa a ficar interessante, surge uma breve vinheta instrumental. Cemeteries of London é o verdadeiro começo, sob uma conformidade fúnebre. o vocal de Chris é o que dá resistência à canção, com uma batida regional oriunda de qualquer comunidade espanhola. Não é um bom começo.

Lost pode ser acompanhada na palma da mão. O compasso é marcado na percussão e ganha melodia no vocal. essa é uma bela canção e, apesar do nome, encontra seu lugar de destaque em meio a várias outras canções mornas. É dia dos namorados e Coldplay não está me sensibilizando, como fez nos dois primeiros álbuns. A banda começa a voltar aos primórdios em 42. O piano caracteriza a música que se aproxima mais dos trabalhos anteriores. A canção tem uma quebra de ritmo muito interessante e forma um paredão de riffs que dá uma bela animada. Até que chega, na minha modesta opinião, uma das melhores canções do disco, Lovers in Japan e essa eu dedico à comunidade japonesa no Brasil, que comemora o seu centenário de imigração este ano, né?

O álbum, que foi produzido com a ajuda de Brian Eno, segue em uma progressão contínua. As canções Viva La Vida e Violet Hill, mais conhecidas do público, são realmente as mais aceitáveis e prováveis candidatas a hits. O disco termina com Death and all his friends que, sem dúvida, é a melhor canção do álbum. Não recomendo como presente para dar à namorada.

 
 

 

Hélio, quais são as boas novas do Vanguart?
Cara, desde o começo do ano nós estamos centrados no disco de 2009, trabalhando sob a perspectiva de começar a gravar em janeiro para, quem sabe, lançar em março ou abril. Tiramos o ano para trabalhar nisso, tranqüilamente e sem pressa.

Segue a mesma linha do disco de estréia?
A banda está diferente, os meninos estão diferentes, mas ainda não percebemos se vai ter a mesma linha, vamos notando, conforme o trabalho for se concretizando.

Escutando algo novo?
Pra falar a verdade, não. Estou escutando as coisas antigas, só que em maiores proporções, muito mais Tom Waits.

Hélio Flanders é um músico insaciável?
Acho que tenho meus momentos, quando tenho uma idéia ou uma poesia, isso me persegue até eu finalizar. E me persegue de uma maneira cruel. Chega até a incomodar, até que eu consiga tirar o encosto de mim.

E o sonho do Hélio como Flanders?
Ter uma carreira sólida, continuar gravando, fazendo nossas músicas da maneira que sabemos, de uma maneira particular.

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