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Existe vida além de Hollywood O universo B, trash, erótico e violento dos filmes exploitation Texto Nathan Elias Fernandes Jornalismo, Cásper Líbero jurumim@hotmail.com
Se você nunca ouviu falar no termo exploitation, está em boa companhia. Pouca gente sabe o que é mesmo! Mas, se você curte cinema, coisas bizarras e é um pouco depravado, provavelmente já está familiarizado com essa expressão. Exploitation são uma espécie de filmes b, ou seja, produções que não contam com orçamento muito gordo. O que nem seria necessário mencionar, uma vez que, ao assisti-los, essa precariedade fica evidente. Porém, se por um lado a qualidade é baixa, por outro, o fascínio que eles exercem com suas histórias malucas e nonsense é bem grande. Filmes assim existem desde o início do cinema, mas foi apenas nas décadas de 60 e 70 que eles se popularizaram, principalmente nos Estados Unidos e na Inglaterra. Os exploitation eram exibidos nas grindhouses- um tipo de cinema barato e sujo, da pior espécie, no qual alguém jamais iria para namorar - em sessões duplas. Como o principal interesse dessas produções era lucrar, elas não se importavam em apelar para pouca roupa, muito sangue, zumbis espaciais ou qualquer coisa bizarra que chamasse a atenção. Seus temas eram, geralmente, os que Hollywood estava proibida de tocar. O tabu movia a indústria exploitation. | |
Quentin Tarantino sempre homenageia o gênero exploitation. Em 2007, com Robert Rodriguez, lançou o projeto duplo Grind House (com Planeta terror e Prova de morte), sua homenagem mais direta a esse tipo de produção cinematográfica.
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Sexo e violência
Um dos diretores mais aclamados era Russ Meyer, também conhecido como o Fellini da indústria do sexo ou simplesmente o Einstein dos filmes pornôs. Isso porque Meyer não tinha pudor nenhum ao tratar de sexo, como nos filmes The immoral Mr. Teas (1959), Eve and the handyman (1961) e Wild gals of the naked west (1962). Foi um dos pioneiros no subgênero sexploitation e depois copiado por vários outros. Quando percebeu que ser apenas libertino já não bastava, começou a acrescentar violência em seus trabalhos. Motorpsycho! (1965) é um exemplo dessa leva, mas talvez o filme mais famoso seja mesmo Faster, pussycat! Kill! Kill! (1966). A película traz no elenco três belas moças, interpretando strippers que saem pela estrada, matando qualquer homem que apareça na frente.

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Betty Page, um verdadeiro símbolo sexual de seu tempo. |
Como para toda ação americana há uma reação britânica, ou vice-versa, havia no Reino Unido - o igualmente desavergonhado - George Harrison Marks. O diretor, com nome de guitarrista dos Beatles, ao lado de sua musa Pamela Green, lançou em 1961 Naked as nature intended. O filme teve logo um enorme sucesso, fazendo a fama de seu diretor. Tanto, que, em 1965, Harrison Marks lançou um filme com seu nome no título (The naked world of Harrison Marks), para dar uma força nas vendas
Os filmes também ajudavam no sucesso das garotas mais quentes da época. Uma das mais famosas foi Betty Page, um verdadeiro símbolo sexual de seu tempo. Desejada pelos homens e invejada pelas mulheres, Page ganhou, em 1955, o título de Miss Pin-Up do Mundo e sempre se gabou por ter feito mais capas de revista que Marilyn Monroe. Ainda em 1955, Page fez Teaserama, ao lado de sua colega Tempest Storm. Tempest, além de seus cabelos de fogo, era também conhecida por ter supostos casos com John Kennedy e Elvis Presley. Além das rainhas do strip-tease, havia também a loira Diane Dors, que começou a carreira com apenas 14 anos, mas com corpo de 17. Dors brilhou em produções como Blonde sinner (1956) e Passport to shame (1958). | |
O livro Film poster - exploitation de Dave Kehr, Tony Nourmand e Graham Marsh foi lançado pela Evergreen, em 2006, e é facilmente encontrado nas grandes livrarias.
O bar Astronete fica na Rua Matias Aires 183, entre a Augusta e a Haddock Lobo ( www.astronete.com.br) |
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