Fale mais sobre o trabalho apresentado na seção portfolio de OFFLINE no. 5.
Tínhamos de elaborar diretrizes para um trecho da cidade de São Paulo. A área em questão se encontra delimitada pela Avenida Ipiranga, Rua da Consolação, Rua Amaral Gurgel, o Largo do Arouche, a Av. Dr. Viera de Carvalho e a Praça da República. Região esta que se encontra consolidada na cidade, e as diretrizes elaborados teriam de ter a finalidade de trazer melhorias para a região. Mas como arquitetos não podíamos deixar de lado as características do local e não queríamos provocar mudanças nos hábitos das pessoas que utilizam a região.
A região da Vila Buarque é um local de passagem, tanto para pedestres que trabalham ou estudam por lá, quanto para os que passam de automóvel, pois a área está conectada a eixos estruturadores como o Elevado Costa e Silva (Minhocão). Fomos orientados a estudar diversos Planos de urbanização no decorrer da história. Isso nos deu “bagagem” para propormos diretrizes e orientou o próprio desenho de projeto.
Sucintamente suas diretrizes propõem:
- Melhorar o aspecto do passeio ao longo do Elevado
- Intensificar a conexão entre Praça da Republica e Largo do Arouche
- Priorizar os trajetos de pedestres, possibilitando novos fluxos
- Respeitar características consolidadas da área
- Propiciar vitalidade nas ruas
- Aumentar a densidade habitacional
- Reconfigurar a paisagem urbana
O esvaziamento do centro de São Paulo tem sido constando e o desperdício de espaço urbano com uma infra estrutura (transporte, localização e equipamentos urbanos/públicos) tão poderosa tem movido muitos a buscar uma solução. Então, adensar o centro, trazendo moradores nos parece razoável. O tema de projeto foi habitação. O trabalho teve um bom resultado graças à orientação do professor Lucas Fehr.
Também procuramos ir contra a degradação urbana e, através de equipamentos, dispomos na cidade de atividades culturais para atrair as mais diversas pessoas para a área.
Além da universidade, como se complementa a formação de um arquiteto?
Ser um bom observador. Enxergar a cidade em que se vive, com um olhar cada vez mais amadurecido, conforme o curso se desenvolve. Antes, olhava determinada paisagem na cidade e não entendia porque gostava. Agora percebo que é a monumentalidade daquele edifício histórico, aquela passarela tão cheia de vida... Isso tudo vejo de dentro do carro nessa avenida sem faróis que me permite observar.
Mas não basta atuar como um sonhador, temos que ser críticos e acompanhar o que tem acontecido no país e no mundo. Pois um arquiteto é também um artista, e queremos fazer arte engajada, ou deveríamos querer.
Quem são suas referências?
Hoje falar de Zaha Hadid até quem não é da área a conhece. Tem um trabalho muito expressivo que prende nosso olhar. Outro arquiteto é Le Gorreta, sua metodologia de projeto busca a referência direta a uma arte. Em uma publicação recente, podemos virar simultaneamente as páginas de um livro e ver a referência de arte ao lado da obra arquitetônica. É um encanto. E nosso querido Niemeyer, depois de uma viagem ao Rio pude conferir de perto muitas de suas obras que me fez admirá-lo mais ainda como arquiteto. E por que não meu orientador nesse trabalho? O arquiteto Lucas Fehr com sua equipe venceu um concurso no Chile, para o Museu da Memória, que está para sair do papel. O modo como o museu está inserido e se conecta com a cidade é muito instigante. Dá vontade de fazer arquitetura.