O conceito de escritura estruturada em niveis fundamenta-se numa perspectiva do processo de autoria desenvolvido em obras contemporâneas de arte e tecnologia.
Este conceito desdobra o processo de criação em estágios distintos e sucessivos: o primeiro estágio, chamado meta-texto, atua como gerador, determinador do segundo, o texto propriamente dito, que atualiza o metatexto, realiza o projeto enunciado.
No terceiro estágio, o pós-texto, o texto enunciado é editado, re-escrito, revisado, eventualmente comentado e ao final preparado para exposição, divulgação e publicação.
Propõe-se, assim, uma metodologia de criação e produção mediática. No primeiro nível, estabelece-se um metadiscurso, uma espécie de partitura mediática, que determina, planeja e direciona as interfaces operacionais entre o criador, seus processos escriturais, seus instrumentos, programas e eventuais colaboradores.
Segundo este protocolo, os trabalhos a serem realizados seguirão diretrizes pré-determinadas de ordem processual, conceitual, tecnológica e computacional, que constituem o metatexto. O metatexto tem portanto a função de orientar atos performáticos de expressão estética, procedimentos de organização de informações, processos generativos de sequências significantes ou sistemas de produção co-autorada, ou mesmo o meta-texto pode orientar a produção de outros meta-textos que por sua vez desencadearão processos escriturais.
Esta conceituação do processo criativo busca evidenciar um estágio implícito do pensamento, o esquema estruturador de uma obra, tornando-o explícito. Ao mesmo tempo, o metatexto constitui-se num texto autônomo com linguagem, estilo, grafia e estética próprias ainda em processo embrionário enquanto forma reconhecida no universo estético.
Ainda assim o meta-texto poderá ser considerado como um elemento do discurso em sua totalidade, podendo ou não ser incluído na versão final editada (conceituada como o pós-texto).
Neste processo autoral, um autor atua inicialmente como meta-autor, concebendo e escrevendo o metatexto em sua forma definitiva. Posteriormente, como artista procedimental, o mesmo autor ou os co-autores produzem o trabalho, isto é, escrevem o texto, segundo o projeto metatextual.
As diretrizes do projeto meta-textual, no entanto, não tem que necessariamente propor restrições: as estratégias processuais sugerem, orientam ou modificam os fluxos criativos, mas apenas parcialmente podem pré-determinar conteúdos finais, desde que estes estão sujeitos a contingência de situações escriturais.
É previsível ainda que durante o processo de se produzir o texto, de se atualizar as diretrizes previstas no metatexto, a prática atue reflexivamente, provocando uma possível reelaboração do metatexto. Neste caso ocorre um processo de realimentacao que enriquece e aprimora o metatexto original que pode incorporar processos antes imprevistos.
Além disso, podem ser identificados diversos níveis de meta-textos, textos, e pós-textos, que se desdobram em níveis hierárquicos na gradativa construção das informações. São escrituras que determinam novas escrituras, planejamentos que orientam planejamentos mais detalhados, processos que sugerem procedimentos de criação individual ou coletiva, que são ao final editados, revisados, preparados para serem exibidos, divulgados em conferências, exposições, publicações impressas ou sítios computacionais.