OS IMPOSTOS SÃO ESSENCIAIS PARA O FINANCIAMENTO DE SERVIÇOS PÚBLICOS. Quanto maior a carga tributária, maior o orçamento do governo para investir em escolas, hospitais e transporte. Pelo menos essa seria a lógica. Um estudo do Banco Mundial, divulgado recentemente, mostra que isso não é verdade.
A América Latina é o continente com maior incidência tributária, seguido pela África. Entretanto, ambas estão longe de ser campeãs em infra-estrutura ou em serviços de qualidade oferecidos à população. Os especialistas da instituição financeira, em sua análise, detectaram que quanto maior for o número de impostos incidentes, maior a chance de regras contraditórias e a dificuldade de preenchimento e quitação desses tributos. Maior será, portanto, a migração para a economia informal e a incidência de corrupção.
Marcel Solimeo, economista chefe da Associação Comercial de São Paulo, a pedido da OFFLINE analisou o estudo e os impactos negativos do sistema tributário brasileiro sobre a economia: "O relatório aponta dois problemas - um é o excesso de tributação, o outro, o excesso de burocracia resultante da tributação. Ou seja, não só se paga muito imposto, quanto se gasta muito para pagá-lo. Os problemas são duplos", sintetiza.
Um exemplo é a Geórgia, país entre a Rússia e a Turquia, à beira do Mar Negro que, em 2004, passou por uma reforma tributária. Das empresas estudadas, 44% assumiam praticar algum tipo de suborno no processo contributivo. Em 2005, após as mudanças, esse número caiu para 11%.

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