O cenário explosivo e dinâmico de 68 gerou uma miscelânea filmográfica: O Bebê de Rosemary, de Roman Polanski, Barbarella, de Roger Vadim, Planeta dos macacos, de Franklin Schaffner, Beijos proibidos, de François Truffault, Teorema, de Pier Paolo Pasolini, Um convidado bem trapalhão, de Blake Edwards, O dragão da maldade contra o santo guerreiro, de Glauber Rocha...
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2001: uma odisséia no espaço |
Máximo Barro, professor de cinema da Faap, montador, pesquisador e escritor, acha graça na variedade de enredos escolhidos pelos diretores nesse ano. “Em que planeta eles estavam para criar tudo isso?”, diverte-se. “Temos filmes que jogam os questionamentos para o futuro, temos um cinema altamente primitivo, outro visual, temos comédias apoiadas no diálogo. O cenário político, altamente conflitante, era um centro de uma batalha para os diretores. Não havia possibilidade de isolamento, eles participavam do furor dos acontecimentos diariamente e suas obras refletiam isso. Tantas temáticas distintas e questionadoras só poderiam ser concebidas em 1968”.
Talvez a obra mais emblemática do ano tenha sido 2001: Uma Odisséia No Espaço, de Stanley Kubrick. Grande parte dos longas dessa época ficaram datados, exceto ele, de vanguarda, considera. “Ali o cinema começou a se apoderar da computação, dos negativos de alta sensibilidade, sem falar no conteúdo, que é fora de série. Kubrick colocou uma realidade que estava acontecendo aos nossos olhos: o futuro, os avanços, tudo parecia extremamente veloz e, de fato, não se sabia até então como seria o dia de amanhã. Aquele osso substituído por uma nave fez pensar muito!”. De fato, 2001 foi um duplo sucesso - um best-seller de Arthur C. Clarke e um marco do cinema.
FÁBULAS ERÓTICAS E FICÇÃO CIENTÍFICA
Segundo Máximo, 68 foi o momento dos antídotos. Havia uma certa tendência, além de comunhões e passeatas juvenis, à rebeldia. E a sétima arte era perfeita para expressar este sentimento, vide Teorema. A metáfora de um anjo fazendo sexo com cada um dos membros de uma família burguesa e partindo sem explicações cai como uma luva e representa a família, em crise, temendo as conseqüências do amor livre.
MAS O QUE DIZER DAS INÚMERAS FICÇÕES CIENTÍFICAS PRODUZIDAS NO PERÍODO?
A rainha da galáxia Barbarella traz um forte apelo sexual. Na trama, a heroína é Jane Fonda, que vive no ano 4.000 d.C. A paz universal é abalada por um terráqueo que foge e cria o Raio Positrônico, capaz de destruir tudo e todos. Barbarella aceita a missão de deter o bandido. Ela corre perigo; mocinho a salva; Barbarella recompensa o mocinho. Por recompensa, entenda-se sexo.
O planeta dos macacos é mais um clássico futurista que levanta questões relevantes sobre ciência, religião e desenvolvimento da sociedade. Em 2029, Leo Davidson chega em um planeta habitado por macacos, onde os humanos são os “animais” e lutam pela sobrevivência. Mas Leo também é escravizado e inicia uma revolução que ameaçará o poder dos símios.
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