Em que outra rua do mundo você pode encontrar um chileno vendedor ambulante de caleidoscópios; um cara que já comeu a Rê Bordosa; um outro que está sempre de pijamas sem nunca repetir o modelito e sempre combinando com os óculos; um sujeito tocando o tema da Pantera Cor-de-Rosa num sax de PVC, um beatnik que vende livros de bar em bar; uma velhinha vendedora de cigarrilhas artesanais, isso sem falar nas dezenas de emos, hippies, punks de butique, butequeiros, putas, travestis, artistas e vagabundos em geral?
Isso sem falar nos lugares e coisas estranhas que se encontram por aqui, além dos bares, cafés, puteiros e baladas. A Augusta conta também com um camelô que só vende filmes cults, um cinema que só passa filmes cults e dois vendedores de camisetas com temas de (adivinhem só?) filmes cults, uma lanchonete vegana, um fast-food mexicano, uma pizzaria emo, uma costureira, quatro sinucas, uma espécie de ferro-velho-brechó e cabeleireiros, todos 24 horas, uma faculdade e, acreditem ou não, até bem pouco tempo atrás, havia até uma igreja evangélica.
A Augusta não é mais a mesma da década de 60. Naquela época tudo acontecia no sentido Paulista-Jardins. Foi essa a rua da famosa música (desci a Rua Augusta a 120 por hora), do primeiro filme do Carlos Reichenbach (Essa rua tão augusta) e da novela Beto Rockfeller. Ela mudou bastante de lá pra cá, apesar da música sixtie ainda ser bem popular nas casas noturnas dessas bandas. Hoje, mesmo rivalizando com a Vila Madalena, a Augusta continua a ser um dos lugares mais bacanas pra se passar a noite em São Paulo. O único risco é que, depois de muito freqüentá-la, você pode acabar se tornando um desses personagens.