Caso você não visualize a animação corretamente, clique aqui para fazer o download do plugin do Flash.
Caso você não visualize a animação corretamente, clique aqui para fazer o download do plugin do Flash.

ROGÉRIO SKYLAB, O FILÓSOFO
O artista sai da personagem para falar sobre a cultura.

Texto Eder Bruno Teodoro e Ricardo Peruchi

Foto Divulgação47of"Rogério Tolomei Teixeira, formado em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), trabalha na Câmara de Compensação do Banco do Brasil.Vida chata? Que nada! Além de funcionário público, é músico, poeta, crítico de cinema e performer. Sob o pseudônimo, alter ego ou personagem (quem vai saber?) de Rogério Skylab, ostenta um trabalho independente e autoral, com oito discos e um livro. Escra-cho, escatologia, irreverência, morbidez, violência e humor negro são as marcas de uma das figuras mais bizarras da música brasileira. Ficou conhecido por suas entrevistas para Jô Soares. Elevou a postura de "fake" à potência máxima contra os conceitos pré-fabricados do modelo de artista ideal, preferindo conver-ter-se em sua própria obra. Nesta entrevista, talvez pela primeira vez, sai da personagem "freak" e revela-se um pensador antenado da cultura contemporânea, sem abrir mão da verve de provocador.

A universidade é um antídoto contra a burrice ou um veneno contra a inteligência?
Pois é, a universidade pra mim, e eu só posso falar mediante a minha experiência, tem um significado complexo. Lógico que esse depoimento é de alguém identificado à sua geração. Não tem como ser diferente. Cada um é filho de seu tempo. O Caetano Veloso, por exemplo, por mais que em seu último disco tenha formado uma banda com garotos da mesma geração de seu filho, estará sempre ligado a seu tempo. Por mais que ele queira se atualizar e por mais que ele lute em ser moderno, ele é filho de um tempo, e não vejo nenhum demérito nisso. Nós somos testemunhas do tempo. João Gilberto, se lançar um disco hoje, vai cantar as mesmas músicas e do mesmo jeito.

Falo isso porque pra minha geração a universidade era uma instituição posta em questão. Talvez por influências ainda da contra cultura e talvez porque naquela época, estamos falando no início da década de 80, ter um diploma para se pleitear um bom emprego no serviço público não era algo tão fundamental assim. Eu mesmo não precisei me formar pra entrar no Banco do Brasil e ter, na época, um bom salário. Hoje a disputa é muito mais acirrada e quanto mais bem preparado você estiver, maiores as chances de você conseguir um emprego melhorzinho.

Acho que a universidade hoje tem um sentido mais tecnocrático. Na minha época não. A universidade trazia ainda um sentido utópico muito em razão da mentalidade dos seus estudantes, preocupados em questionar os paradigmas da tecnologia. O marxismo ainda vigorava. A poesia mimeógrafo idem. Questionavam-se ainda as instituições. Eram os últimos raios da contra cultura. A UNE tinha alguma importância. Foi assim que eu levei 10 anos pra me formar em Filosofia.

Fazia questão de ler os livros que os professores não indicavam. Deleuze era um exemplo. Eu freqüentava as aulas de Roberto Machado na pós-graduação, como ouvinte, pra ouvi-lo falar de "Diferença e Repetição". Claro que ele era uma avis rara dentro de um ambiente aristotélico e marxista. Ou seja, a universidade, retomando o que eu dizia anteriormente, era algo complexo. Você estava ali e não estava: os corredores eram mais importantes que as salas de aula. Esse embate dentro das próprias faculdades foi soterrado. Hoje as coisas correm de uma maneira mais linear, sem grandes sobressaltos. Os invasores da USP são motivos de chacota.

O que o curso de filosofia fez com você?
O curso de Filosofia fez isso comigo: um motivo de chacota.

A filosofia morreu? Ainda existem filósofos?
Não morreu e nem vai morrer porque ela é o húmus de uma sociedade. Está aí a Filosofia Analítica que não me deixa mentir, via Wittgenstein. Adquiriu uma força que eu nunca poderia imaginar que ela teria 20 anos atrás.

Qual a questão mais importante para o homem de hoje? E para a mulher de hoje?
A questão mais importante para o Homem hoje, sem diferença de gêneros, eu não faço a menor idéia. Perguntas genéricas assim são impossíveis. Mas se você me perguntar qual é, pra mim, a questão mais importante hoje, eu diria sem vacilar: é a virtualidade. Em outras palavras: a realidade virtual. Eu já havia acenado isso numa música que consta do Skylab VI: Quer tc comigo? E quando eu digo realidade virtual, quero poder afirmá-la inclusive contra a minha biologia.

PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | Próxima >>

 

Receba nossa e-news e veja conteúdo exclusivo do site.

 
Caso você não visualize a animação corretamente, clique aqui para fazer o download do plugin do Flash.
 
 
Envie para um amigo Imprimir  
 
Copyright © 2008 - Editora Novo Meio Ltda. - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.
Sobre a OFFLINE | Nossa Equipe |