 |
1. Reynaldo Gianecchini
2. Max Fercondini
3. Johnny Deep
4. Orlando Bloom |
O BIGODE, REMOTO SINÔNIMO DE STATUS, um acessório capilar facial que delimitava a condição sócio- econômica do indivíduo, torna-se comum na cara dos mais pomposos. Essa postura a la mustache invade regiões underground's de São Paulo e se espalhou pelo Brasil. Será esse um resgate do acessório que por muitos séculos estampou a cara da elite intelectual de todo o mundo? É moda? Nostalgia?
O jovem David Cavalcante diz que é estilo, um pouco de preguiça e que adora seu bigode. O uso do aparato acompanha uma tendência retrô e, segundo a consultora de moda Mirella Floren, "ele só é bem aceito se vier com uma atitude e um estilo de vestir que acompanhe a personalidade da pessoa".
Quem não se lembra de James Brown, Latino e Beto Jamaica? A música propiciou belos adereços capilares faciais, mas quem encabeçou essa linhagem pitoresca ou, se preferir, bigodesca, foi o estimável Fred Mercury, vocalista do Queen. Agora venhamos e convenhamos, o Motorhead seria o Motorhead se o Lemmy não possuísse seu bigode como fonte de energia e inspiração?
O mundo do futebol também foi digno desses gênios da taturana. Pode reparar, foi só o Vampeta (ex-jogador do Corinthians) tirar o bigodinho que seu futebol desapareceu. Já Roberto Rivelino, tri-campeão mundial pela Seleção Brasileira, manteve o acessório e foi técnico, comentarista e até diretor de clube.
Não vamos esquecer da política. Por que você acha que Mercadante, Sarney e até o falecido ACM ostentavam o tal? Lógico que o aparato provia de uma característica séria, rígida, e transpassava pseudocredibilidade. Mas não se deixe enganar pelo acessório, ele pode ser usado para a manipulação e até mesmo coisa pior. Lembra dos "carismáticos" Hitler e Stalin?
As novelas também entraram nessa onda. Perceba o singelo bigode de Pedro, personagem de Maxwel Nascimento em Malhação. É notório. A globo sacou a tendência e o adereço também estampa o personagem de Antônio Fagundes, Juvenal Antena, em Duas Caras, e Diogo Botiquário, de Desejo Proibido, vivido por Pedro Neschling, bem ao estilo do pai da aviação, Santos Dumont.
O acessório já figurou na cara de muitos famosos e, com o resgate desses personagens históricos, podemos notar que o bigode, além de comum, definia a personalidade de muitos deles. SaSá Mutema (interpretado por Lima Duarte na novela "O Salvador da Pátria"), Seu Madruga (vivido pelo mexicano Ramón Valdez no seriado Chaves) e o ator Charles Bronson, diga-se de passagem, possuíam "bigas" respeitáveis. Seus usuários variavam do irreverente ao ríspido.
No fluxo contínuo da moda, essa foSa embarca a vontade de muita gente adotar o bigode, embora isso seja um fato, a preguiça e o desejo de ser diferente encoraja o jovem a adotar o acessório. Vinicius Pacheco usava barba diz que foi uma questão de mudança: "eu estava de barba, cansei e deixei apenas o bigode, mas quando eu cansar, tiro também".
Há mulheres que o adoram. A assistente de estilo Claudia Toledo idolatra. "É um fenômeno dos moderninhos brasileiros", diz. Por fim, fica claro que, embora alguns o achem tosco, o bigode é mais um acessório que invade este momento nostálgico em que vivemos. Quando decidir fazer barba, cabelo e bigode, experimente deixar o bigode, sem receio da piada infame. |
|