Arte Subterrânea

As pessoas apressadas que passam todos os dias pela passagem, pouco prestam atenção na arte existente ali embaixo e, principalmente, nas estantes de livros que ali estão à venda. A Passagem Literária da Consolação tem acesso subterrâneo, entre a Avenida Paulista e a Rua da Consolação, próximo ao prédio onde ficava o Cine Belas Artes. Em 2005, após a proibição da venda de livros na Rua Augusta, o lugar virou um corredor cultural e passou a abrigar vendedores de livros usados que tradicionalmente ficavam nas calçadas da Augusta.

 

Hoje, o espaço abriga grafites e exposições de vários tipos como a “A(e)rea Paulista”, que traz os desenhos da arquiteta Carla Caffé e a “X-Sampa” uma viagem visual e sonora, que mistura história em quadrinhos, música e site specif (obras de arte criadas de acordo com o ambiente e instalações planejadas para um espaço determinado). As duas mostras ficam expostas na galeria subterrânea até o dia 27 de agosto.

 

A arte urbana e a cidade de São Paulo são representadas através de 20 desenhos feitos por Carla para o livro que foi lançado em homenagem à Avenida Paulista, em 2009. Os cartazes traçam os bairros do Paraíso, Liberdade, Bela Vista, Higienópolis, Consolação e também compõem um estudo geofísico da aérea por meio de uma linguagem poética.

 

Cartaz da artista Carla Caffe (Divulgação)

 

Já a X-Sampa foi desenvolvida pelo estúdio SOPA Grafix, formado pelos paulistanos Yuri Garfunkel, desenhista e flautista, e Bruno Mestinger, designer e baixista. Os quadros são feitos com nanquim, tinta acrílica, serigrafia e papel reciclado artesanal e retratam São Paulo e Buenos Aires. As 14 HQs gigantes são acompanhadas por recortes de músicas regionais selecionadas pelos dois artistas.

 

Mesmo sem saber, os paulistanos que passarem por ali, estarão apreciando a arte urbana e contemporânea, acompanhada de muitas histórias dos livros amarelados que aguardam pacientemente o toque das mãos e o olhar ávido pela leitura.

 

Por Letícia Iambasso

2 comments

  • 20 de julho de 2012 at 16:05 // Responder

    Muito bom saber que a arte continua sobrevivendo na cidade de São Paulo. Locais e movimentos como esses deveriam ter muito mais destaque em toda a imprensa. Parabéns aos organizadores e à autora da coluna. Muito bom mesmo!

  • 24 de julho de 2012 at 6:04 // Responder

    Um absurdo saber da proibição da venda de livros na Rua Augusta… Contudo, a ideia de impor a arte é louvável, muito inteligente. Passarei por lá para apreciar e comprar uns livros velhos.

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